domingo, 24 de novembro de 2013

Portugal - Lisboa*





Finalmente chegamos a tão esperada capital de Portugal: Lisboa! Já tinha ouvido muito falar daqui por pessoas que já passaram por essa cidade, mas honestamente eu não estava esperando nada demais. Cheguei na cidade e não me surpreendi. É claro que o local é muito mais limpo que o Brasil, porém a rotina da cidade e os estilos lembram demais o Brasil. Para quem vem da Espanha, com uma arquitetura totalmente diferenciada do país de origem, hora que chega em Lisboa fica até um pouco decepcionado, porque lembra demais o Brasil.



Mas, essa decepção foi totalmente momentânea, rs. Lisboa me surpreendeu demais e é uma cidade que quero voltar para conhecer o resto. Como ficamos apenas uma noite e um dia foi tudo muito rápido e deu para conhecer apenas uma pequena parte da cidade, mas na realidade é uma cidade magnífica!




Assim que chegamos lá já fomos ao encontro de nosso albergue. Dica que sempre li nos blogs e hoje recomendo, nunca deixe para procurar um lugar para ficar a noite e procure sempre chegar nas cidades que não conhece ainda de dia. É muita mais seguro e pelo menos você fica mais tranquilo para curtir a cidade quando já existe definido onde irá dormir. Em todo o país ficamos no albergue "Pousada da Juventude" e em Lisboa não foi diferente. Na realidade, foi o melhor lugar que ficamos dentre todos. Quarto foi separado, banheiro era por quarto.. nem parecia albergue! Ah, a localização também era muito boa, ficava bem no centro!


Após nos instalarmos, pegamos o mapa e fomos analisar o que iriamos conhecer. Super dica: nunca deixe para escolher o que vai conhecer na hora, rs. Programe-se, pois você perde muito tempo e acaba sempre esquecendo de algum lugar importante que estava ali pertinho. Mas, mesmo sem programação nenhuma acabou que deu certo!

Primeiro local que todo bom aventureiro vai após escolher para onde quer ir é o acesso ao transporte público, rs! Sim, não tem como ir conhecer uma nova cidade sem saber como funciona o transporte público. Então, lá fomos nós no metro! Na realidade não me lembro o valor, mas não era nada de absurdo (menos que R$ 3,00, com certeza!) e o melhor era que um ticket do metro dava direito a andar de mais alguns transportes públicos durante o dia, como o ônibus e o ônibus elétrico!

Metro

Elétrico

Ônibus

Abaixo segue o monumento do Marquês de Pombal. Para quem não é ligado em história, Marquês de Pombal foi o "estadista" que conduziu Portugal para a era do iluminismo. Importante símbolo da história do país, o monumento foi inaugurado em 1934 na Praça Marquês de Pombal.


Seguindo viagem, tivemos que tomar uma decisão do que conhecer em Portugal, pois se fossemos para o Norte não teríamos condições de conhecer o Sul, e assim seguia para o Leste e o Oeste. Optamos por "puxar sardinha" um pouco para nosso país e conhecer os famosos monumentos referente ao descobrimento do Brasil. Mas antes, claro, não podíamos deixar de darmos uma passadinha para experimentar os famosos "Pastéis de Belém de Portugal".


Todo mundo que conhecia que já foi para Portugal falava desse pastel de Belém e, ainda que em vários lugares do mundo todos façam essa receita, me informaram que nenhum lugar é tão deliciosa quanto o original. Bom, nunca tinha experimentado, então era ver para crer. Para começar o lugar é lotado de gente! Mas você nem percebe de tão grande que é o lugar. Vendo de fora você não percebe, porém quando entra é tanta sala pra lá e pra cá que dá para se perder. #exagero


Uma coisa bem engraçada é que você consegue ver o pessoal produzindo os pasteis de belém. É claro que é tudo fechado, porém através de um tipo de aquário é possível ver a produção em tempo real. Para quem gostaria de saber, abaixo coloquei uma rápida explicação sobre o que é os pasteis de Belém e toda sua história.


"No início do Século XIX, em Belém, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, laborava uma refinação de cana-de-açúcar associada a um pequeno local de comércio variado. Como consequência da revolução Liberal ocorrida em 1820, são em 1834 encerrados todos os conventos de Portugal, expulsando o clero e os trabalhadores. Numa tentativa de sobrevivência, alguém do Mosteiro põe à venda nessa loja uns doces pastéis, rapidamente designados por "Pastéis de Belém". Na época, a zona de Belém era distante da cidade de Lisboa e o percurso era assegurado por barcos de vapor. No entanto, a imponência do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém, atraíam os visitantes que depressa se habituaram a saborear os deliciosos pastéis originários do Mosteiro. Em 1837, inicia-se o fabrico dos "Pastéis de Belém", em instalações anexas à refinação, segundo a antiga "receita secreta", oriunda do convento. Transmitida e exclusivamente conhecida pelos mestres pasteleiros que os fabricam artesanalmente, na "Oficina do Segredo". Esta receita mantém-se igual até aos dias de hoje. De facto, a única verdadeira fábrica dos "Pastéis de Belém" consegue, através de uma criteriosa escolha de ingredientes, proporcionar hoje o paladar da antiga doçaria portuguesa." (Fonte: http://www.pasteisdebelem.pt/pt.html)


Enfim, experimentado o famoso pastel de belém, hora de compartilhar de minha opinião: Delicioso! Nada de tãããão anormal e nem o melhor doce que já experimentei na vida, porém muito gosto e vale a pena! Ele me lembrou um pouco do doce sonho, talvez seja pelo açúcar em cima ou o docinho meio consistente dentro, mas muito gostoso!


Continuando nossa caminhada, passamos em frente a um Mosteiro, chamado de "Mosteiro dos Jerónimos". Situa-se em Belém e foi encomendado pelo Rei D. Manuel I (depois que Vasco da Gama retornou de suas viagens à Índia). A obra iniciou-se em 1502 (dois anos depois do descobrimento do Brasil). O nome veio depois que foi entregue a Ordem de São Jerónimo (até 1834 e depois disso foi entregue a Igreja Paroquial da Freguesia de Santa Maria de Belém). Houve um sismo em 1755 e a construção sobreviveu, ou seja, sem grandes danos, MAS nosso querido Napoleão Bonaparte enviou tropas francesas no século XIX e o mosteiro foi danificado. Hoje o mosteiro inclui diversos túmulos de pessoas importantes, incluindo Vasco da Gama, Luiz Vaz de Camões e Fernando Pessoa (lembra dos nomes das aulas de literatura e história? rs). E, para finalizar, esse monumento é reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 2007. Não entramos, primeiro pelo tempo, segundo porque acho que tem que marcar antes e terceiro porque não era o nosso foco dessa rápida viagem.



Seguindo viagem, existe uma praça muito bonita em frente chamada "Jardim da Praça do Império". Muito bonita, limpa, pessoal andando tranquilamente e cheio de gente.








Existe uma avenida muito movimentada na frente dela que dá para o mar, então para que não existisse tantos acidentes e para facilitar a vida de nós turistas pedestres, foi colocado um tipo de um túnel que passa embaixo da avenida. O túnel de dia é tranquilo, mas a noite deve ser meio perigoso, alias, não sei se o local fica aberto até a noite.



Chagamos do outro lado e... poxa, que vista! Um lugar que eu passaria um dia inteiro sem fazer nada, rs. É um estilo de um calçadão, na beirada do "Rio Tejo", porém não no estilo de praia, tanto que não havia ninguém na água. O lugar era mais para se apreciar do que para se refrescar.



Ponte 25 de Abril - Construída em 1996


Ficamos um bom tempo ali e é legal, pois além de ser tranquilo existiam um monte de atividades lá. Até um local fechado para degustação de vinho a 20 euros. Infelizmente não pudemos ficar, mas foi tentador. Existem tantos algumas conveniências no lugar, porém um dos mais famosos de tudo que existe no lugar é um monumento, o Monumento do Descobrimento do Brasil e nosso objetivo no dia de hoje.


O monumento original foi um pedido de Antonio de Oliveira Salazar para a Exposição do Mundo Português em 1940, mas foi desmontado em 1958 (joinha pra eles!). Ou seja, o atual monumento é uma réplica de 50 metros de altura que foi inaugurado em 1960 (em comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique, o Navegador - ele é o homem que está a frente no monumento). Os demais são os chamados heróis do descobrimento e o poeta Camões, com um exemplar da obra Os Lusíadas em sua mão (relembrando as aulas de literatura).

Mas para frente, caminhando resolvemos experimentar a cerveja famosa de Portugal (a Brahma do Brasil), "Super Bock". Nada de diferente, mas gostosa!



Nesse local, além de todas as coisas importantes que foram citadas acima, ainda existia outra muito importante e conhecida mundialmente: a famosa Torre de Belém!


A Torre de Belem foi diversas coisas no passado. A princípio, era a partir delas que partiram as caravelas que trouxeram a Família Real para o Brasil em 1808. Se lembram da história, foi na época que Napoleão Bonaparte enviou suas tropas, e muitas pessoas - cerca de 15 mil pessoas entre nobres e amigos da Coroa - deixaram para trás acervos bibliográficos e muitas outras riquezas para fugir. O local foi totalmente abandonado pelos governantes enquanto o exército francês vinha da Espanha.



A Torre de Belém era uma parte dos planos de João II para proteger a barra do Rio Tejo, mas só foi iniciada bem depois de seu reinado em 1514 (o reinado de João II terminou em 1495). O objetivo de sua construção era substituir a antiga nau artilhada e adaptar esse local para partirem as frotas para as Índias. Em 1520 ainda, foi inaugurada a tal fortificação, mas a evolução dos meios de ataques a Torre acabou servindo para outros fins, porque ela não estava defendendo mais nada. Então ela serviu de registro aduaneiro, farol e posto telegráfico. Ainda, durante os reinados de Felipe II (Espanha) e João IV (Portugal) os paióis viraram masmorras para presos políticos.


Ainda, no passado a torre era cercada de água em todo o seu perímetro, mas com o tempo foi envolvida pela areia até incorporar a terra firme. Depois de passar por uma grande reforma no século 18, a Torre de Belém começou a acumular títulos. O primeiro veio em 1907, quando foi elevada a Monumento Nacional. Em 1983, foi declarada como Patrimônio Mundial pela UNESCO e em 2007 foi eleita uma das sete maravilhas de Portugal. 





O final daquele dia, a princípio, era esse. Conhecemos uma parte de Lisboa, porém já estava anoitecendo e estávamos famintos. Quando estávamos indo passear por Lisboa achamos um restaurante chamado "Costelão Gaúcho", pertinho de nosso albergue. Bom, "gaúcho" nos dizia "Brasil" e "Brasil" naquela altura do campeonato nos dizia "CARNE" e "costelão" só nos dava a certeza, rs. Decidimos que iríamos jantar um bom rodízio lá!


E estávamos certíssimos! Comida maravilhosa e o melhor era que o dono era brasileiro, super camarada! Ele nos contou sua história, onde a princípio ele queria ganhar a vida fora do Brasil. Assim, ele iria para os EUA. Porém, foi na época em que houve o ataque nas torre gêmeas em setembro de 2011, então os EUA além de dificultar a entrada, ainda deu um problema com o visto dele, pois o país estava muito criterioso. Aí já não deu certo. Foi quando a mãe dele perguntou, porque ele não iria para um país que falasse a mesma língua? Foi aí que surgiu "Portugal" na conversa. Ele veio e trouxe toda a família e construiu o restaurante (claro que não de primeira.. passou por vários outros serviços). Quando perguntamos se voltaria para o Brasil, ele disse que gosta muito do Brasil, mas fora existe muitas outras oportunidades e a educação portuguesa para os filhos era muito melhor que no Brasil. Ele disse que aqui o governo paga para você manter os filhos na escola, e se tirar da escola existe uma multa. Além disso os filhos aprendem muitas línguas além do português (e claro que não é do nível de línguas que é no Brasil). Disse que a vida dele aqui dava muito mais certo com a família do que no Brasil.


Histórias a parte, o jantar foi maravilhoso. O dono ainda nos deu um super desconto no vinho e foi um dia super marcante. Se passar por Lisboa, não deixe de ir nesse restaurante super agradável.

Bom, após toda essa delícia que ocorreu nesse dia, todos estavam cansados. Porém, eu queria conhecer a "night" portuguesa, onde falavam que era demais. A noite apenas quem topou foi um dos meninos e os demais foram dormir. Ouvimos muito falar de um local chamado "Bairro Alto". Fomos até lá. Pegamos o metro e chagamos ao tal do Bairro Alto. Gente, sério, muito estranho e ao mesmo tempo divertido. Um bairro, todo de paralelepípedos, cheeeeeio de bares e discotecas e muita gente na rua. Pegamos algumas ruas e fomos entrando de bar em bar. Muito legal. O legal para o menino que estava comigo era que eu era a entrada "free" dele, onde a maioria dos lugares mulheres não pagavam e se o homem estivesse acompanhado de uma ou mais mulheres também não pagava. Entramos em cada lugar doido! O lugar tinha de tudo, desde barzinhos para ficar tranquilos até uns lugares minúsculos tocando de tudo! Infelizmente estava sem câmera nesse dia, pois tinha deixado carregando, porém peguei uma foto da internet para vocês verem o que é esse local. Cada porta é uma coisa diferente. Doidera geral!


Mas, saímos de lá meio decepcionados, pois o lugar não era o que nos pintaram. Na realidade chegava até a ser um pouco perigoso! Tem que ficar espertos. Acabamos indo para um outro local, que por sinal nem sei o nome. Uma balada que custava uns 20 euros para entrar, porém conhecemos um dos donos nesse lugar doido aí em cima e ele nos liberou a entrada free (#medo). O cara, um dos donos, era brasileiro também, meio estranho, mas brasileiro. Nessa outra balada (agora balada de verdade) era um lugar com muita gente mais velha e infelizmente a lei de "proibido fumar em locais fechados", aplicados em alguns lugares no Brasil, não era aplicado lá e acho que 80% das pessoas naquele lugar fumavam. Horrível o cheiro! Lá ainda conseguimos encontrar mais suas pessoas que estavam com a gente em Salamanca. Uma noite divertido apesar de tudo! Mas, eram 6h já e tínhamos que seguir viagem em algumas horas. Então, pegamos um táxi e voltamos para o albergue. Umas duas horas depois nós tivemos que acordar (#sono), mas não liguei muito, afinal, viajar (na minha opinião) não é tempo para dormir! rs

Acordamos e decidimos ir conhecer mais algumas coisas importantes de Lisboa. O mais engraçado é que onde fomos, de carro, as ruas são extremamente pequenas, do tipo que só cabe um carro e apanhamos um pouco em alguns lugares. Sorte que tínhamos a Ana, nossa super motorista!





A igreja abaixo é chamada de "Igreja da Sé". O local foi mandado construir em 1150 por D. Adolfo Henriques, e foi construída no local de uma antiga mesquita. Houveram três terremotos significantes para essa igreja que sofreu muitos danos mas foi sendo renovada com o passar dos anos.




Fomos ainda visitar o "Museu Teatro Romano". Esse teatro foi construído no século I e foi abandonado no século IV, onde permaneceu soterrado até 1798, onde foram descobertas após o terremoto de 1755.








Foram recuperados parte das bancadas, da orquestra, da boca de cena e do palco e grande número de objetos decorativos. Antigamente esse foi o Teatro da antiga cidade de Olisipo e a maneira como é hoje foi inaugurado em 2001. Para quem gosta de arqueologia, esse local é totalmente indicado.










Nosso objetivo do dia era conhecer o famoso "Castelo de São Jorge", onde além de muito famoso era um dos lugares que as pessoas mais recomendavam para conhecer em Lisboa.



Existe um preço a se pagar para entrar no castelo de São Jorge, onde se existir a carteirinha de estudante o preço sai por 4 euros (algo em torno de 12 reais).




O nome do castelo deriva-se da devoção do castelo a São Jorge, santo padroeiro dos cavaleiros e das cruzadas. "Foi feita por ordem de D. João I, no século XIV. No século XVIII e XIX o Castelo de S. Jorge recebe as alterações mais profundas. Com o terramoto de 1755, as muralhas, o castelo, bem como a maior parte dos palácios, igreja e outras construções existentes ficaram em ruínas. Sobre os escombros dos antigos edifícios, foram lentamente construídos outros que esconderam as ruínas dos anteriores. Só a igreja de Santa Cruz foi reconstruída. O castelo e parte dos vestígios do antigo Paço Real da alcáçova foram redescobertos já no século XX, após as demolições das construções pós-terramoto que os encobriam". 






Vista do Castelo de São Jorge



























Um lugar que vale uma visita com certeza se passar por Lisboa. Aliás, para quem acredite que Portugal não vale a pena a visita, engana-se. Portugal é recheado de coisas maravilhosas a se ver, pessoas maravilhosas e Lisboa é um lugar bem agitado! Acredito que cada lugar visitado nos deixou com um gostinho de quero mais. Foi bem rapidinho mas agradável, então fica a dica pra quem acha que não vale a pena Portugal. Após conhecermos o castelo, estávamos prontos para voltarmos para nossa querida Salamanca (na Espanha), porém, decidimos de última hora conhecer Cascais. Então, vamos lá! #ontheroad

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