Antes de mencionar sobre o quanto a África do Sul é linda e apresentar o país, gostaria primeiramente de falar sobre o motivo pelo qual eu decidi ir para lá: fazer um trabalho voluntário com crianças carentes! Desde que fiquei sabendo (a partir de pesquisas pela internet) que esse tipo de coisa era possível ser realizada por qualquer pessoa que se disponibilizasse a isso, fiquei super animada e comecei a pesquisar por instituições que faziam esse tipo de intercâmbio. Entrei em contato com várias delas e a primeira coisa que fiquei sabendo era que, embora fosse um trabalho voluntário, você tem que arcar com todas as despesas que uma viagem normal exige. Sim, você tem que arcar desde o contato com a empresa que faz o intercâmbio, até a passagem de avião e a participação no projeto. Honestamente não sei dizer se há voluntariados dessa proporção do qual não exista custo; o que posso dizer é que esse houve.
Primeiro passo foi ver quanto custava uma passagem para a África do Sul (e outros países que pesquisei como Índia e Namíbia) e não era das mais baratas. Fiz todo o levantamento financeiro da viagem e no final descobri que iria ficar um dinheiro excedente do que eu havia disponível e acabei desencanando da ideia. Isso aconteceu a mais ou menos um ano atrás. Porém, no meio de 2013 resolvi que queria passar minhas férias estudando inglês no exterior e foi aí que me veio a lembrança do trabalho voluntário e pensei, "porque não juntar o útil ao agradável?". Foi aí que decidi (e coloquei como meta) realizar um trabalho voluntário com crianças na África do Sul, pois faria o que queria e praticaria meu inglês (uma das línguas oficiais da África do Sul é o inglês - porém existem 10 outros idiomas/dialetos lá falados).
Mas eu ainda tinha o problema financeiro, não tinha o dinheiro necessário. Foi assim que resolvi realizar uma rifa. Tive muita ajuda para pensar e organizar a rifa com o grande objetivo de ajudar na viagem. Tinha colocado como meta realizar esse intercâmbio em Fevereiro de 2014. Tive dois meses para vender a rifa, onde o prêmio seria componentes de um churrasco (carne, cerveja, tábua para churrasco, carvão...). Não levantei todo o dinheiro necessário, pois além de estar sozinha, o tempo não era tão longo, mas me ajudou MUITO esse dinheiro. Abaixo a campeã!
Em paralelo ao levantamento do dinheiro, comecei a pesquisar sobre empresas que faziam esse tipo de intercâmbio, e encontrei a empresa CI. Hoje posso dizer que há outras como AISEC, porém acabei fechando com a primeira que entrou em contato (nunca faça isso, negocie com muitas antes de fechar). O que me encantou na CI é que os projetos sociais eram estruturados, pois embora eu realmente queria trabalhar com crianças carentes na África do Sul, estava com um pouco de medo. Iria viajar sozinha então o mínimo que eu precisava era de algo realmente estruturado para me dar alguma segurança de que não estava entrando em nenhuma enrascada.
A CI é uma empresa que disponibiliza vários tipos de trabalhos sociais com crianças e animais. Estava procurando um que se encaixasse com meus objetivos e achei um lugar entre Jeffreys Bay (para quem não conhece é uma praia muito famosa no mundo dos surfistas, pois tem algumas das melhores ondas para surfar), próximo a Port Elizabeth e Johannesburgo, e ainda, tinham as crianças nas idades em que eu queria (não tão novinhas, entre 7 e 10 anos), porém infelizmente não deu certo, pois li um pouco a respeito do lugar e não recomendavam por questão da violência do lugar, e como eu disse, iria sozinha, não dava para abusar.
Foi aí que comecei incansavelmente e estudar o mapa da África do Sul e ler alguns blogs sobre os lugares. Descobri que o lugar que mais há pessoas falando inglês é na linda Cape Town (Cidade do Cabo), mais propriamente no centro, pois é o centro do turismo na África do Sul. Assim, comecei a procurar projetos voltados para esse local. Acabei encontrando dois, um em Cape Town em um hospital com crianças entre 0 e 10 anos e o outro em Fish Hoek de uma creche com crianças de 0 a 5 anos. Embora a faixa etária que estava procurando eram de crianças entre 7 e 10 anos (para treinar melhor meu inglês) não tinha psicológico para trabalhar em um hospital. Então optei pela creche, com um projeto chamado "Child Care Centre", e depois fui descobrir que o projeto na realidade chamava-se "Little Angels".
A empresa CI é apenas uma empresa que faz o intercambio de comunicação entre eu e a empresa da África do Sul. A empresa da África do Sul é a "Good Hope", da qual o grande foco é ser uma escola de inglês para estrangeiros, porém tem uma "perninha" no projeto social que direciona tanto alunos quanto não alunos a fazerem algum tipo de voluntariado. Na verdade é esse empresa da qual você terá o maior contato, pois o seu contato com a CI acaba no momento em que você faz o pagamento (se tiver duvidas ou problemas você tem que se virar na África do Sul ou sozinha ou com essa escola, Good Hope).
Uma dica para quem pretende fazer um projeto voluntário que me deram e hoje confirmo é sobre o nível de inglês. Esses projetos aceitam qualquer tipo de nível de inglês, até daqueles que não falam absolutamente nada, porém, não faça um projeto social se seu nível de inglês é o básico do básico, pois você irá sofrer MUITO! Mesmo meu inglês não sendo básico sofri demais para entender no início, ainda mais porque o sotaque deles é bem diferente do inglês americano / britânico que aprendemos. Então, tenho no mínimo (na minha opinião) um nível legal de inglês para conversação. Conheci uma americana no aeroporto e comentei com ela sobre o inglês sul africano que estava tendo muita dificuldade para entender e ela me disse que no início ela não entendia quase nada que eles falavam, que era muito difícil. Então atentem-se, se é difícil para uma americana, imagina para nós? rs O inglês é importante, pois todas as instruções e toda a sua forma de comunicação lá será em inglês, desde o momento em que você pisa no aeroporto de Johannersburgo. Então se você não entende fica complicado a comunicação.
Existem vários (MUITOS MESMO!) documentos que você tem que preencher e enviar para a empresa, como currículo, antecedentes criminais, carta de apresentação, redação do porque quer fazer um projeto social, documento de inscrição com seus dados pessoas, documento se já fez algum projeto social, se trabalhou com crianças, documentos com inúmeros dados de contato no caso de emergência, foto 3x4, entre outros. Todos os documentos em inglês.
Além disso você é obrigado a ter um seguro que cobrisse diversas eventualidades (resgate de corpo e essas coisas medonhas - não incluía seguro baseados em esportes radicais). Meu seguro foi um proposto pela CI (a escolha pelo seguro é sua) chamado "Intercare" que paguei US$ 100 dolares pela cobertura dos 25 dias que estaria na África do Sul.
É exigido também a carteira de vacinação internacional após você tomar a vacina contra a febre amarela (única vacina exigida para se ir para a África do Sul). A vacina pode ser tomada gratuitamente em qualquer posto de saúde e a carteira de vacinação internacional deve ser tirada apenas em postos autorizados com contato prévio informando uma data para realizá-lo. A minha foi feita em Cordeirópolis - SP em 15 minutos (deve levar a carteira ou comprovante de vacinação da febre amarela) - pesquisei no site da Anvisa. Precisa ter um passaporte válido (óbvio) e até três meses brasileiros não precisam de visto para entrar na África do Sul, é apenas necessário apresentar alguns documentos para a polícia federal na alfândega em Johannesburgo de quanto tempo ficará na África do Sul e o motivo (tranquilo).
No momento em que você assina contratos que está ciente que há risco de doenças como HIV ou malária (e que se responsabiliza por qualquer coisa que aconteça a você isentando totalmente qualquer empresa) e faz o pagamento, a CI solicita a verificação se há vaga no projeto que você escolheu (sim, tem essa ainda, eles só podem verificar se há vagas após o pagamento e entrega de todos os documentos e caso não exista eles informaram que devolvem o dinheiro), porém o que me disseram é que normalmente em projetos com pessoas sempre há vagas, pois a maior procura das pessoas são pelos projetos sociais com animais. Depois de quase um mês de pagamento e entrega dos documentos (entre festas de fim de ano e férias) a empresa Good Hope enviou uma "Carta de Aceitação", informando que eu fui aceita e que seria bem vinda. Isso, juntamente com seu passaporte é que era necessário apresentar na alfandega no momento em que se chega na África do Sul. Ai era o momento de comprar a passagem de avião (quase em cima da hora) e fazer as malas.
Coração apertado, fui para a África do Sul no dia 5 de fevereiro de 2014. A viagem é muito longa e com direito a escala em Johannersburgo. Foram 10 horas até lá, duas horas esperando no aeroporto e mais duas até Cape Town. Chegando em Cape Town havia um homem da escola Good Hope com uma plaquinha com meu nome onde me levou de carro até a casa onde iria ficar em Fish Hoek.
Cheguei na quinta-feira, dia 06 de fevereiro na hora do almoço e na casa fui muito bem recebida pela dona. Estava morta de cansaço e dormi a tarde inteira (fuso horário: 4 horas a mais no horário de verão e 5 horas a mais no horário normal). Quando acordei haviam mais 3 voluntárias que já estavam lá há algumas semanas, sendo duas brasileiras e uma suíça. Nas semanas seguintes, as brasileiras foram embora e chegaram mais uma suíça (minha companheira de quarto) e uma alemã.
Esse projeto ao qual participei era realizado em duas "cidades", uma chamada "Fish Hoek" e outra chamada "Wastlake", ambas na província de Cape Town. A moradia era junto com a creche em Fish Hoek, onde meu quarto e o banheiro eram compartilhados. Honestamente, o projeto era um pouco estranho. Na casa em que fiquei era a casa de uma família (a responsável pelo projeto Little Angels) que a princípio foi desenvolvido pelo Sr. Phillipe, porém hoje o mesmo se encontra há mais de um ano debilitado em uma cama doente (basicamente vegetando #mundoinjusto).
O projeto deu continuidade pela sua esposa e um de seus filhos (que era o nosso "taxista particular"), mas acredito que não com tanta convicção quanto me falaram que era quando o homem ainda era ativo (e amava o projeto), assim achei meio "largado" o projeto (mais voltado para "business" do que para "ação social"). O que estou falando aqui foi o que vivenciei e senti, não que em algum momento fui maltratada ou que me faltou algo. A casa deles ficava em cima e nossa estadia era embaixo, ou seja, em nenhum momento jantamos com a família para compartilhar um pouco de cultura. Não, sempre eram eles em cima e as voluntárias embaixo o que foi um pouco decepcionante no início, pois realmente queria ver como funcionava a cultura da família (digo no início porque conforme os dias passaram me senti aliviada por podermos estar apenas entre as voluntárias).
A casa em que fiquei era muito bonita, organizada e ficava em uma região de classe alta, porém havia dois grandes problemas: ficava no topo de uma montanha, longe de tudo e no local em que eu fiquei não tinha nada para se fazer. O problema da montanha era que para ir no mercado demorava no mínimo meia hora a quarenta minutos andando. E na volta era um tormento aquela montanha. A casa ficava basicamente no topo, então minhas panturrilhas trabalharam muito! E o outro problema era o local, Fish Hoek. Essa "cidade" tinha apenas uma praia de turístico, porém uma praia famosa por tubarões (pesquisei que Fish Hoek Beach é equivalente a nossa Praia da Boa Viagem em Pernambuco onde há risco de tubarões), ou seja, entrar na água jamais! Falarei mais de Fish Hoek no próximo post. Então, para nós jovens voluntárias chegava dias em Fish Hoek que era um completo tédio! Assim, atentem-se para a localização no projeto social.
Abaixo segue algumas fotos da casa onde passei as três semanas. Meu quarto ficava ao lado do quarto dos filhos da dona do projeto (ela tinha 5 meninos adotados). Todos nós compartilhávamos do mesmo banheiro. Tinha uma chave só para mim do meu quarto e da casa. Podíamos nos horários de folga ir para onde quiséssemos, onde a unica coisa que os donos da casa solicitavam era apenas que informássemos no caso de acontecer alguma coisa.
Sala onde passávamos nossas noites
A escada acima era a casa dos donos
Nossa mesa para jantarmos
Lareira decorada com a cultura africana
Decoração africana
Decoração africana
Nossa cozinha (das voluntárias e das crianças)
Meu quarto
Quarto interno (ignorem a bagunça)
O filho, que também cuidava do projeto, era nosso taxista particular, pois quando queríamos ir nos lugares ao redor de Fish Hoek, ir andando não era muito uma opção, pois tudo é muito longe. De Fish Hoek a Cape Town de carro era uma média de 40 minutos sem trânsito e o preço que ele fazia para nós era bem tranquilo (e bem inferior ao que os taxistas cobravam). Todos os acertos de táxis que nós precisávamos ou sanar alguma duvida com os donos nós fazíamos ou verbalmente ou via Whatsapp (mensagem de celular). Nós tínhamos em Fish Hoek internet free (wifi), porém em Wastlake não existia.
Mas afinal, o que muitas pessoas me perguntaram, qual era a rotina do projeto? O horário de trabalho era das 9h às 16h, considerando 2h de almoço. Normalmente trabalhávamos em duplas, duas ficavam em Fish Hoek e duas ficavam em Wastlake. Em Fish Hoek haviam 6 crianças de faixa etária entre 2 e 5 anos, ou seja, maiorzinhas. Quando elas chegavam tínhamos que ficar apenas brincando com alguns brinquedos disponíveis na creche. As 10h começavam as atividades.
Eles tinham um cronograma do qual eu não concordava muito, mas fazer o que. São 12 meses no ano, então cada mês era destinado ao aprendizado de alguma coisa específica. Por exemplo: Janeiro: cor Amarelo, números: 1 2 3 4, letras: A B C D, leitura: sobre animais. No mês seguinte eram outras coisas aprendidas, outros números, outras cores... porém todo mundo sabe que se não rever o aprendizado do mês anterior, a gente esquece, então não concordava muito com a forma de aprendizado por conta disso. Então pela manhã era focado no ensino das crianças. Após isso era a hora da mamadeira, onde todas elas tomavam algum tipo de líquido (leite, água ou suco). Antes do almoço eles desenvolviam atividades que ativassem a criatividade delas, por exemplo, desenvolver palhaços com os recursos disponíveis, música, leitura, fazer pulseiras, pintar, recortar e várias outras.
Todas as atividades a serem desenvolvidas tinham um cronograma com horários fixos onde era repeitado fortemente. As atividades eram dadas pela babá do projeto e nós auxiliávamos.
Ao 12:30 as crianças almoçavam. A comida eu definitivamente não concordava, pois não era uma comida saudável. Ou eram coisas esquentadas (que estavam há dias na geladeira) ou eram salgadinhos ou coisas não saudáveis. Nós, voluntárias, ajudávamos a dar comida. Embora algumas delas já sabiam se alimentar sozinhas, a maioria tinha que ter uma mãozinha para não derrubar. Após o almoço era a hora da soneca de todas. Eles dormiam nos berços da creche (2 crianças por berço) durante 2h, que é o nosso horário de almoço. Quando elas acordam, eles tomam o restante da bebida da mamadeira e assistem a desenhos na mini TV (Cool Cats - decorei o desenho já rs).
Após isso, eles brincam um pouco mais e as 16h todas as crianças voltam para Wastlake, onde os pais das mesmas vão buscá-los. De uma maneira geral, essa é a rotina básica de Fish Hoek. Existem várias coisas que não concordava e uma delas é a questão de as crianças ficarem trancadas em uma salinha muito pequena fazendo as atividades, quando lá fora existe um sol tão bonito que eles poderiam brincar. Outro ponto, eles não orientam as crianças a escovar os dentes, o que eu acho uma falha, pois é necessário desenvolver esse tipo de costume desde quando são pequenos. Tinha uma criança lá com os dentes todos quebrados e mal cuidados.. uma pena para uma criança de 3 anos.
Wastlake
Em Wastlake a rotina era um pouco diferente. Saiamos de Fish Hoek as 9h (quando o motorista do projeto chegava) e íamos para Wastlake (15 minutos de viagem). O projeto ia até as 15:45 quando o motorista vinha nos buscar e levar de volta para Fish Hoek. As crianças eram menores, assim não tinha um conteúdo didático de ensinamento. Praticamente passávamos o dia brincando com elas. Também tinham o mesmo almoço de Fish Hoek e os mesmos tempos de soneca e beber líquidos, porém a diferença é que em Wastlake todas as crianças usavam fraldas, assim, após a soneca tínhamos que ajudar a trocar as fraldas de todas elas (foi onde troquei a primeira fralda da minha vida). O bom de Wastlake é que alguns dias eles comiam frutas que a maioria gostava muito.
Em ambas os locais o almoço é por conta das voluntárias e como em Fish Hoek tudo é longe nós fazíamos a nossa própria comida. Já em Wastlake era perigoso sair sozinha, segundo a babá, pois é um bairro um pouco perigoso. Eu basicamente comia algum pão, bebia água e comia uma fruta que eu comprava no mercado em Fish Hoek.
Quero apresentar agora cada criança da qual eu tive uma grande oportunidade de compartilhar um pouco do meu tempo:
Nikita - Wastlake
Trechaun - Wastlake
Mackenzie - Wastlake
Tabita - Fish Hoek
Láuren - Wastlake
André - Fish Hoek
Zinklê - Fish Hoek
Chantele (Lollipop) - Fish Hoek
Méagan - Fish Hoek
Dino - Fish Hoek
Xana - Wastlake
As babás Lenny e Joline
(as pessoas que me ajudaram MUITO, que só tenho a agradecer pela paciência e pelo carinho)
#fromGermany #fromSwizterland #fromBrazil
Hoje eu penso na África do Sul com muito carinho e principalmente das crianças. O projeto em si foi um pouco cabuloso, tendo vários altos e baixos mas uma das coisas que eu mais AMEI lá e faria de novo um projeto social é pelas crianças! Você ver quão felizes essas crianças são embora todas as dificuldades que passam. Como elas te recebem na "casa" deles como se você não fosse estrangeira, porque elas não acham que você é diferente porque fala uma outra lingua (igual em alguns outros países xenofóbicos), ao contrário, eles fazem uma ligação com você tão rápido e fácil que você pega um amor de uma maneira inexplicável. Chorei muito quando fui embora! Cada criança que tive a oportunidade de conhecer me ensinou alguma coisa que me mudou como pessoa. Todo mundo fala que depois que você fizer um trabalho social, por mais simples que seja, te muda! E hoje eu digo, desenvolver projetos sociais com seres humanos te faz mais humano, você enxerga coisas que não enxergava antes; compreende coisas que estão longe da sua rotina; e aprende, muito! Digo que esse projeto que fiz me valeu muito a pena e acredito que todo mundo um dia deveria passar por uma experiência dessas! #ficaadica
Aproveitando o post sobre projetos voluntários, quis emendar um outro projeto voluntário que fiz na África do Sul, que embora não estivesse no escopo, me agregou mais da cultura sul africana. É um projeto ministrado por um motorista da escola Good Hope chamado "Soup Kitchen". Na verdade, quando você está na África do Sul diversos projetos sociais são turísticos, ou seja, "fazer o bem" passa a ser algo turístico como eles falam. O Soup Kitchen não foge disso, embora seja mais voltado para os alunos que estão na escola Good Hope. É um projeto de uma tarde onde o objetivo é você auxiliar a dar comida para uma comunidade carente de Cape Town e ao mesmo tempo ter a experiência de entrar e conhecer pessoas da região pobre de Cape Town.
A comida na verdade já é feita pela própria comunidade após esse motorista levantar o dinheiro para a compra das mesmas. Existe uma grande história por trás desse projeto, mas o que vale dizer é que você paga para ir ajudar no projeto e o dinheiro é revertido na comida para a comunidade.
Esse projeto é feito semanalmente e o motorista, Sr. XX, nos informou que muitas famílias esperam desesperadamente por esse dia, porque de fato a situação nesse local não é das melhores.
São duas panelas bem grandes com arroz e a outra com lentilha e alguns pedaços de carnes. Essas panelas são colocadas em um balcão adaptado na frente de uma das casas da comunidade. Duas filas são formadas pelos moradores, sendo uma das crianças e a outra com os adultos. Os primeiros a serem servidos são as crianças. Todos devem trazer potes e tapoer de casa para que possamos dar-lhes uma colherada de arroz e outra colherada com a lentilha.
A comida é fresca e quente e a grande maioria das famílias não come a comida na hora, ao contrário, guarda para outro dia, muitos onde não teriam o que comer. Esse projeto o motorista nos contou que tem evoluído muito e eles correm muito atrás de doações para que isso seja realizado.
As crianças, mais uma vez, são felizes! Dançam, cantam, porém são extremamente carentes de atenção. Se você vai conversar com uma criança logo eles querem colo (embora muitas vezes nem tenham mais tamanho para isso), querem mexer no seu cabelo ou tirar foto com a sua camera / celular.
Querem dançar e te chamam para que você veja, para que você dance junto e dê atenção a elas. Muitas delas colocam as melhores roupas nessa ocasião que juntam muitos estrangeiros das mais variadas partes do mundo.
Embora simples e rápido, achei bem legal essa experiência! Deu para conhecer um pouco mais o que é a parte pobre da África do Sul em reflexo com a parte rica. Na África do Sul você consegue visitar vários lugares considerado pobre pelo país ou em alguns casos até perigoso, da mesma forma que a visitação turística nas favelas brasileiras é no Brasil. #ontheroad